A ferrugem que protege, e a que não protege
Todo aço exposto enferruja. No aço comum a ferrugem é porosa e solta: ela desprende, expõe metal novo, e o processo recomeça — por isso a perda de espessura não para.
No aço patinável acontece outra coisa. Sob a camada de ferrugem solta, que continua existindo e é o que se vê, forma-se uma segunda camada de óxidos densa, aderente e de baixa porosidade. É ela que retarda o ataque. O nome é pátina, e é a razão de o aço se chamar patinável.
Quem faz isso são os elementos de liga: cobre, fósforo, cromo, níquel e silício, somando no máximo cerca de 3% da liga.
O critério é um número, e ele é público
As normas americanas de aço patinável — ASTM A242, A588, A606, A709, A852 e A871 — usam todas o mesmo critério: um índice de corrosão calculado a partir da composição química, que precisa dar 6,0 ou mais.
O índice vem de um dos maiores ensaios de corrosão já feitos: 273 aços de alta resistência e baixa liga expostos por 15 anos e meio em três atmosferas diferentes — industrial, rural e marinha. A partir daí Larrabee e Coburn mediram o efeito de cada elemento, e a regressão desses dados virou o índice.
A ASTM publica a planilha que faz a conta. Não é número de fabricante: é número de norma, e qualquer um confere.
Aço com cobre não é aço patinável
É aqui que a conversa comercial e a norma se separam. O artigo de Pannoni traz os índices calculados para vários aços de mercado, e a distância entre eles é grande.
- Um ASTM A36 típico: índice 1,09
- O mesmo A36 com 0,2% de cobre — o que o mercado chama de aço ao cobre: 4,48
- Um ASTM A588 típico, esse sim patinável: 6,67
O aço ao cobre reprova, e por uma margem larga
4,48 contra o mínimo de 6,0 não é um detalhe de arredondamento. É um aço que resiste melhor que o A36 comum e que, pelas normas americanas, não é aço patinável.
O artigo é explícito sobre isso: entre os aços encontrados no mercado, alguns não são considerados patináveis à luz da normatização norte-americana, por não atenderem o critério. Vale a pena reler essa frase antes de aceitar uma proposta que diz só "patinável".
O que colocar no pedido
A palavra "patinável", sozinha, não fecha especificação nenhuma. Três informações fecham:
- A norma do aço (ASTM A588, ASTM A242, ou a designação do fabricante)
- O índice de corrosão atendido — e ele deve vir escrito, não subentendido
- A composição química de norma, que é de onde o índice sai
O que a MalhaPop tem
O aço patinável da casa é o WS 350 da Gerdau. O catálogo dele declara atendimento ao índice de corrosão da ASTM G101 igual ou maior que 6,0, pelo método baseado nos dados de Larrabee e Coburn — que é, nas palavras do próprio catálogo, o único aceito pelas normas americanas.
A composição de norma traz cobre de 0,20 a 0,55%, cromo até 0,80%, níquel até 0,65% e fósforo até 0,040%. Mecanicamente: limite de escoamento mínimo de 350 MPa, resistência de 500 a 650 MPa e alongamento mínimo de 19%, em espessuras de 3 a 76,2 mm.
De onde saem os números desta página
Os índices de corrosão, o histórico e o critério das normas americanas saem do artigo "Aços Patináveis", de Fabio Domingos Pannoni, Dr. Eng., publicado pela Gerdau — o PDF está em /catalogos/artigo-acos-patinaveis.pdf.
Os dados do WS 350 saem do catálogo Gerdau do produto, em /catalogos/acos-patinaveis-ws350.pdf. A MalhaPop não é fabricante nem representante da Gerdau: os dois documentos são publicações do fabricante, e estão aqui com a fonte apontada para você conferir.
