A pátina não é do aço: é da exposição
Esta é a frase que resolve quase toda frustração com aço patinável. A camada protetora não vem pronta de fábrica e não é uma propriedade que o aço carrega para qualquer lugar. Ela é o resultado de uma reação que precisa de condições para acontecer.
O catálogo do WS 350 lista quais são: os elementos de liga, os fatores ambientais — presença de dióxido de enxofre e de cloreto de sódio, ciclos de umedecimento e secagem — e a geometria das peças.
Repare que dois dos três não têm nada a ver com o aço que você comprou.
Precisa molhar e precisa secar
O ciclo de umedecimento e secagem é o motor da formação da pátina. Uma peça permanentemente molhada não seca para a camada densa se formar; uma peça abrigada da chuva, sob cobertura, nunca molha o suficiente.
Isso quer dizer que aço patinável dentro de um galpão coberto, ou enterrado, ou submerso, não está fazendo o que se comprou dele. Ele continua sendo um aço estrutural de 350 MPa — só não está patinando.
Cloreto é o inimigo, e ele vem de dois lugares
A aplicação de aço patinável é muito limitada na presença de sais marinhos concentrados: com cloreto, a camada protetora não se forma direito. Isso tira obra de orla do cardápio, ou pelo menos exige olhar o caso com quem assina o projeto.
A experiência americana com pontes mostrou o segundo caminho do cloreto, que é menos óbvio. Em 1980, aço patinável sem pintura já era 12% de todas as pontes rodoviárias dos Estados Unidos, e a corrosão aparecia predominantemente no tabuleiro superior e nas juntas — onde o sal de degelo era aplicado no inverno.
Não era o aço: era onde o sal chegava e ficava.
O bolsão de água, que é erro de detalhe e não de material
A conclusão que a análise dessas pontes produziu é direta: para garantir o desempenho do aço patinável é importante evitar o desenvolvimento de bolsões contendo água, onde os sais se concentram e degeneram a pátina protetora.
Daí a frase que vale mais que qualquer tabela: o detalhamento de projeto importa tanto quanto a liga. Cantos que acumulam, juntas que retêm, superfícies sem caimento — cada um desses é um ponto onde o aço patinável se comporta pior que um aço pintado.
A mancha no que está embaixo
Nos primeiros estágios, antes de a pátina estabilizar, os produtos de corrosão escorrem com a chuva. O artigo registra que os sistemas japoneses desenvolveram revestimentos justamente para estabilizar essa fase e evitar o manchamento — do concreto, por exemplo.
Quem já viu a base de concreto de um pilar de patinável entende o problema. Não é falha estrutural, é acabamento — e é uma conversa melhor de ter no projeto do que na entrega.
Pintar aço patinável não é desperdício
Parece contraditório, e não é. O próprio catálogo do WS 350 traz uma seção de recomendações de preparo de superfície e pintura para os ambientes onde há indicação — ou seja, o fabricante prevê o caso.
E há um ganho medido: ensaios de exposição de oito anos mostraram que os mesmos sistemas de pintura aplicados sobre aço patinável duraram de 1,5 a 4 vezes mais do que sobre aço convencional. O primeiro uso industrial dos patináveis, aliás, foi assim — vagões, caminhões e máquinas agrícolas, pintados.
De onde saem os números desta página
O histórico das pontes americanas, os ensaios de pintura e a limitação por cloreto saem do artigo "Aços Patináveis", de Fabio Domingos Pannoni, Dr. Eng., publicado pela Gerdau, em /catalogos/artigo-acos-patinaveis.pdf.
Os fatores de formação da pátina e a seção de pintura saem do catálogo Gerdau do WS 350, em /catalogos/acos-patinaveis-ws350.pdf. Os dois são publicações do fabricante; a MalhaPop não é fabricante nem representante da Gerdau.
