O que o manual chama de medida-padrão
As tabelas de pré-dimensionamento do manual da Gerdau são montadas sobre três medidas: altura da coluna de 6, 9 ou 12 m; espaçamento entre pórticos de 6, 9 ou 12 m; e vão livre de 15 a 50 m, de cinco em cinco metros.
Dentro dessas medidas a consulta é direta: cruzando o vão com a altura, e o vento com o espaçamento, sai o estágio de carregamento e o perfil de cada posição do pórtico.
O que acontece fora delas
O manual resolve isso subindo para o degrau acima. No exemplo dele, um pórtico de 32 m de vão, 11 m de altura e 8 m entre pórticos é consultado na tabela de 12 m de altura, com espaçamento lido na coluna de 9 m.
Subir de degrau é sempre para o lado seguro, e sempre custa aço: um galpão de 32 m paga a estrutura de um de 35 m se a consulta for pela tabela. Quando o vão intermediário compensa, o manual oferece o caminho do ábaco, que interpola — e os dois caminhos podem indicar perfis diferentes.
Tabela e ábaco podem discordar, e a diferença tem sentido
No mesmo exemplo de 32 m, a consulta pelo ábaco leva a uma viga W 460 x 74,0 e a leitura pela tabela, subindo o vão para 35 m, leva a uma W 530 x 66,0. A segunda é 8 kg/m mais leve e tem mais inércia no eixo forte.
Só que ela tem metade da inércia no eixo fraco — 857 contra 1.661 cm⁴ —, e é o eixo fraco que responde pela flambagem lateral da viga entre travamentos. Não é uma opção melhor que a outra: são duas respostas com equilíbrios diferentes, e quem escolhe é o responsável técnico.
O que fazer com isso ao projetar
Se o terreno permite, escolher vão, altura e espaçamento em medida de tabela é a decisão mais barata do projeto inteiro — ela evita pagar o degrau.
Se não permite, vale saber que a diferença existe e pedir que o pré-dimensionamento diga por qual caminho foi feito.
