O problema que ele resolve
Um pórtico de alma cheia é rígido no plano em que foi desenhado: carga vertical e vento na direção transversal ele resolve pela própria geometria, com o engaste no nó entre viga e coluna.
Fora desse plano ele é uma peça esbelta. O vento que bate na fachada frontal, o esforço que vem do plano da cobertura, o empurrão de montagem — tudo isso pede um caminho que o pórtico sozinho não oferece. O contraventamento é esse caminho.
Vertical e horizontal não são a mesma coisa
O contraventamento vertical fica no plano das colunas e leva a força horizontal até as fundações. O horizontal fica no plano da cobertura e recolhe a força ao longo do galpão até chegar às faixas contraventadas.
No galpão resolvido do capítulo 7 do manual, os dois são cantoneira L 76 x 5: 16 peças de 7,5 m e 24 de 6 m no vertical, 24 peças de 7,8 m no horizontal. Somam pouco mais de 2,4 toneladas num galpão de 35 toneladas.
A nota que o manual faz questão de escrever
Nos desenhos do capítulo 7 há uma nota explícita: contraventamentos e elementos na faixa contraventada devem ser dimensionados para os esforços normais devidos ao vento.
Não é peça de completar desenho. É elemento calculado, e a seção dele depende do vento do local — que na tabela do manual entra como velocidade básica de 30, 35, 40 ou 45 m/s.
Onde ele some do orçamento
Contraventamento é cerca de 7% do peso do pórtico no exemplo do manual — pouco o bastante para passar despercebido numa proposta e o bastante para a diferença aparecer quando falta.
Ao comparar dois orçamentos de galpão, vale conferir se os dois trazem contraventamento vertical E horizontal, e se as cantoneiras têm seção declarada.
